Ritmo
“Todo começo é doloroso.
Lembrar dos processos é difícil. Todas as dores que passamos para alcançar
nossos objetivos são marcas que carregamos. Não importa o lado da moeda em que
estamos, se somos empreendedores ou contratados, a base é sempre a mesma:
manter-se firme, saber o seu valor, confiar no seu diferencial.
Eu sempre soube qual era
o meu. Desde o início, mesmo quando tudo o que eu tinha era uma caixinha de som
e uma iluminação simples, meu coração sabia o que queria. Aquela luz que
piscava, quase sem força, acendia dentro de mim uma vontade que não cabia no
peito. E é exatamente isso que me deu coragem. Hoje, ao abrir os olhos todas as
manhãs, olho ao redor, vejo até onde cheguei e agradeço a Deus por manter meus
pés firmes na essência.”
O caminhão estaciona. No compasso calmo da manhã ou no silêncio de uma madrugada qualquer, ele para diante do depósito e, aos poucos, começa a ser preenchido. O que se coloca ali dentro não são apenas equipamentos. São sonhos. São partes de histórias embaladas com zelo: caixas de som, luzes, painéis, TVs, cabos enrolados com cuidado. Cada item é carregado com o mesmo respeito com que se manuseia algo frágil. Ao fechar a porta e girar a tranca, o que se sela ali é o início de mais uma história a ser escrita.
Realizar. Esse sempre foi o maior propósito de Dj Malini.
Levar alegria. Criar momentos. Acender emoções. No Espírito Santo, ele se
tornou ícone no ramo de estruturas e eventos. Mas por trás do nome respeitado e
da referência que se construiu, existe o menino curioso: Anderson Malini de
Souza. O menino que viveu muitas infâncias , carregando nas malas pequenas,
lembranças e grandes aprendizados.
A ausência do pai deixou espaço. Mas não vazio. Foi preenchido
pela força silenciosa e determinada da mãe que sempre foi a sua direção. Falar dela ainda hoje traz
emoção.
Na casa onde cresceu, não se pronunciava a palavra
“desistir”. Não havia espaço para “não consigo” ou “é impossível”. A mãe puxava
força de onde ninguém via. E fez isso por todos os dias da vida dele. Plantou
convicções que o acompanharam em cada passo, mesmo nos mais difíceis.Tornando
assim possível , os sonhos distantes.
A música não foi o primeiro sonho. No ensino médio,
Anderson seguia outro caminho. Cursou Biologia, chegou a vislumbrar uma vida
entre laboratórios e estudos da natureza. Ainda guarda com carinho esse tempo,
esse desejo, esse rascunho de futuro. Mas o coração tinha outra batida. E ele
escutou.
Começou pequeno. Uma caixinha de som. Uma luz. Um espaço simples e uma vontade
imensa. De festa em festa, de evento em evento, foi colocando a alma em cada
entrega.
Entrar no mercado foi como entrar em um mar já cheio de
embarcações. Havia gigantes. Nomes grandes. Estruturas consolidadas. E ele, do
lado de fora, apenas com a vontade. Mas não se intimidou. Tinha algo que não se
comprava: os pés fincados na verdade e na vontade.
Dj Malini sempre acreditou que reinventar-se é sobreviver. Guarda com ele a história da águia, que, ao envelhecer, precisa fazer escolhas: ou se deixa morrer, ou arranca as próprias penas, quebra o bico e nasce de novo. E foi isso que ele fez diversas vezes. Mas a virada, a grande transformação, veio com a paternidade. Sara chegou como um novo começo e, com ela, ele descobriu que ser pai é construir outro tipo de estrutura: invisível, mas sólida , um alicerce de presença, de exemplo, de cuidado. Com Gaby, a esposa, veio a base do lar: a certeza de um amor que acolhe e fortalece.
Hoje, Anderson entende que a vida se parece com uma batida musical. Tem momentos que explodem, outros que silenciam. Tem graves, tem agudos. Tem pausa, tem intensidade e aprendeu a dançar conforme a música. Aprendeu que o botão do volume está nas mãos de quem tem coragem. E que vale a pena insistir. Sempre. Porque no fim, o que sustenta a sua caminhada é isso: um ritmo forte, que vem de dentro e não permite parar.
@djmalini_oficial

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