Silêncio
Dilcinha. Nome de quem carrega no som o diminutivo. Parece até apelido, como se fosse pequena, frágil, protegida por toda a delicadeza. Mas o que o nome disfarça é a fortaleza que existe em quem o sustenta. Nasceu em silêncio, e foi nesse silêncio que aprendeu a ouvir o mundo de um jeito diferente: pelos olhos, pelos gestos, pelos lábios que desenham palavras. Aprendeu a escutar com o corpo, com a atenção, com a alma. E talvez tenha sido essa escuta profunda que moldou sua forma de estar no mundo, um jeito mais sensível, mais atento, mais humano.
Professora, surda oralizada, trabalha em uma escola pública atendendo alunos com dificuldades de aprendizagem. É daquelas educadoras raras, que acolhem os alunos em sua individualidade, que respeitam cada diferença com insistência, afeto e paciência . Quando chega à porta da sala de aula para convidá-los para mais uma aula de reforço, não precisa dizer muito: sua presença já basta para que os rostos se iluminem. Há em sua forma de ensinar algo que vai além do conteúdo.
A vida, em suas inúmeras voltas e manifestações, nos obriga a enxergar o que antes passava despercebido. Justamente ela, que enfrentou tantos obstáculos para se comunicar com o mundo ao redor, foi escolhida , pelo destino, para ajudar crianças que também vivem seus próprios silêncios. Talvez seja por isso que tenha tanta sensibilidade. Ou talvez sejam as lembranças dos bons professores que cruzaram seu caminho, que acreditaram nela quando o mundo ainda não sabia como escutá-la, que a inspiraram a construir sua história com dedicação, paciência e afeto. Ela sabe, por experiência, que ninguém aprende sob julgamento.
Sua voz é alta, expressiva. Seu olhar é firme, atento, sempre buscando compreender o que vai além das palavras. E quando está em meio a muitas pessoas, o silêncio que a envolve não é ausência ,é atenção. Dilcinha observa mais do que fala, compreende mais do que comenta, acolhe mais do que expõe. Sua presença é daquelas que não precisa se impor: ela se faz sentir.
Ser uma mulher surda oralizada já é, por si só, um ato de resistência. Desde pequena, enfrentou os desafios de viver numa sociedade pensada para os ouvintes, onde faltam acessibilidade, empatia e compreensão. Conviveu com a ausência de recursos visuais, com a dificuldade de comunicação, com o preconceito e o desconhecimento sobre a comunidade surda. Viveu os ruídos da exclusão, da indiferença, do despreparo. Mas mesmo diante de tudo isso, seguiu firme. Como não seguiria? Estamos falando de alguém que enfrentou o mundo, acreditou nos próprios sonhos, decepcionou quem duvidava e, hoje, vive de forma plena e independente, como mulher, como educadora, como inspiração.
Quando colocou os aparelhos auditivos pela primeira vez, não foi fácil. Era um novo mundo sonoro, estranho, confuso, cheio de nuances que ela nunca havia experimentado. Mas, aos poucos, foi descobrindo que a vida também tinha uma melodia , feita de sons que ela foi aprendendo a decifrar. A voz das pessoas, o barulho da rua, o som da chuva, o riso de uma criança. Cada descoberta era uma nota nessa nova partitura. Mas a história de Dilcinha não é apenas sobre aprender a ouvir. É, sobretudo, sobre aprender a enxergar o mundo que está a nossa volta.
Professora, surda oralizada, trabalha em uma escola pública atendendo alunos com dificuldades de aprendizagem. É daquelas educadoras raras, que acolhem os alunos em sua individualidade, que respeitam cada diferença com insistência, afeto e paciência . Quando chega à porta da sala de aula para convidá-los para mais uma aula de reforço, não precisa dizer muito: sua presença já basta para que os rostos se iluminem. Há em sua forma de ensinar algo que vai além do conteúdo.
A vida, em suas inúmeras voltas e manifestações, nos obriga a enxergar o que antes passava despercebido. Justamente ela, que enfrentou tantos obstáculos para se comunicar com o mundo ao redor, foi escolhida , pelo destino, para ajudar crianças que também vivem seus próprios silêncios. Talvez seja por isso que tenha tanta sensibilidade. Ou talvez sejam as lembranças dos bons professores que cruzaram seu caminho, que acreditaram nela quando o mundo ainda não sabia como escutá-la, que a inspiraram a construir sua história com dedicação, paciência e afeto. Ela sabe, por experiência, que ninguém aprende sob julgamento.
Sua voz é alta, expressiva. Seu olhar é firme, atento, sempre buscando compreender o que vai além das palavras. E quando está em meio a muitas pessoas, o silêncio que a envolve não é ausência ,é atenção. Dilcinha observa mais do que fala, compreende mais do que comenta, acolhe mais do que expõe. Sua presença é daquelas que não precisa se impor: ela se faz sentir.
Ser uma mulher surda oralizada já é, por si só, um ato de resistência. Desde pequena, enfrentou os desafios de viver numa sociedade pensada para os ouvintes, onde faltam acessibilidade, empatia e compreensão. Conviveu com a ausência de recursos visuais, com a dificuldade de comunicação, com o preconceito e o desconhecimento sobre a comunidade surda. Viveu os ruídos da exclusão, da indiferença, do despreparo. Mas mesmo diante de tudo isso, seguiu firme. Como não seguiria? Estamos falando de alguém que enfrentou o mundo, acreditou nos próprios sonhos, decepcionou quem duvidava e, hoje, vive de forma plena e independente, como mulher, como educadora, como inspiração.
Quando colocou os aparelhos auditivos pela primeira vez, não foi fácil. Era um novo mundo sonoro, estranho, confuso, cheio de nuances que ela nunca havia experimentado. Mas, aos poucos, foi descobrindo que a vida também tinha uma melodia , feita de sons que ela foi aprendendo a decifrar. A voz das pessoas, o barulho da rua, o som da chuva, o riso de uma criança. Cada descoberta era uma nota nessa nova partitura. Mas a história de Dilcinha não é apenas sobre aprender a ouvir. É, sobretudo, sobre aprender a enxergar o mundo que está a nossa volta.

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